Tendo em vista o elevado e crescente número de pessoas a adquirirem diabetes ao longo dos anos e suas consequências prejudiciais à saúde, é de suma importância falar sobre esta doença, entender o que é, e como age no nosso organismo.

A organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2030, 439 milhões de pessoas serão diabéticas, número este que gera grande preocupação em nível de saúde pública, pois a alta prevalência desta doença ocasiona complicações sociais e econômicas para diversos países.

A diabetes mellitus é uma desordem metabólica crônica que consiste na incapacidade de produzir insulina ou de utilizá-la corretamente, resultando na alteração do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas e em hiperglicemia de longa duração.

De acordo com a Associação Americana de Diabetes, a diabetes mellitus pode ser classificada em:

  • Diabetes tipo 1 à é uma forma de diabetes em que o corpo não produz insulina devido a destruição autoimune das células β do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina;
  • Diabetes tipo 2 à é quando o corpo, além de produzir menos insulina, não consegue utilizar adequadamente a insulina que produz (90-95% dos casos de diabetes); ocasionada por dois fatores: diminuição da produção de insulina pelas células β do pâncreas e resistência a insulina.

 

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) lista alguns sinais que podem indicar um maior risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Portanto, se apresentar alguns desses fatores, fique mais atento e faça exames com mais frequência: pressão alta, colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue; sobrepeso ou obesidade, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura; parente de 1º grau com diabetes; síndrome de ovários policísticos, sedentarismo e apneia do sono;

Quando não há um acompanhamento adequado, as altas taxas de glicose no sangue podem favorecer algumas complicações, dentre elas, doença renal: os altos níveis de açúcar fazem com que o rim filtre muito sangue, sobrecarregando os órgãos e afetando sua capacidade de filtragem; problemas nos olhos: glaucoma (pressão elevada nos olhos), onde o risco do desenvolvimento dessa doença é 40% maior em diabéticos, catarata (quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz), sendo o risco 60% maior e retinopatia diabética; problemas de pele como coceiras, pele seca e infecções; vascularização deficiente: dificuldade de cicatrização e doença arterial periférica, que reduz o fluxo de sangue para os pés aliada a redução de sensibilidade devido a danos aos nervos elevam o risco de amputação e úlceras. Vale ressaltar que ter diabetes não significa que terá essas complicações. O gerenciamento adequado da taxa de glicemia, aliado a um acompanhamento médico regular reduz drasticamente o risco de desenvolver alguns destes problemas.

Sabe-se que a dieta e o comportamento alimentar estão diretamente associados ao controle e prevenção do diabetes mellitus. A hipótese de que a resistência à insulina seria consequência da obesidade é demonstrada por diversos estudos. Dessa forma, é de extrema importância a adoção de um estilo de vida mais saudável a fim de reduzir o risco de adquirir diabetes e controlar a doença depois de instaurada.  Sendo assim, a terapia nutricional individualizada é a mais indicada para o paciente atingir o peso adequado e metas nutricionais.  As principais metas nutricionais para adultos diabéticos são (1) promoção de padrões alimentares saudáveis; (2) adequação às necessidades nutricionais considerando preferências individuais, como acesso ao alimento, aspectos culturais, disposição, capacidade e barreiras individuais.

De forma geral, aqui vão algumas dicas recomendadas pela SBD para diminuição do risco e controle da diabetes: aumentar a ingestão de alimentos pouco processados e naturais, diminuir o consumo de gorduras, sal e bebidas alcoólicas; incluir mais refeições, como pequenos lanches, no seu dia, reduzindo as quantidades de alimentos das refeições principais; aumentar a oferta de alimentos ricos em fibras ; reduzir progressivamente o consumo de alimentos industrializados, substituindo-os por alimentos naturais e de preparações caseiras, e optar por alimentos com menor teor de gorduras. Atividade física e exercícios regulares são grande aliados para o controle da diabetes.

Conscientizar-se da importância de uma alimentação saudável para a sua saúde, ter um acompanhamento nutricional e médico e realizar exames com frequência é imprescindível.

Ter diabetes requer alguns cuidados, mas é possível ter uma vida normal, feliz e com qualidade.

 

 

Referências:

 

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD) : http://www.diabetes.org.br/
  • LEVESQUE, Celia. Therapeutic lifestyle changes for diabete mellitus. Nurs Clin N Am52 p. 679–692, 2017. Disponivel em: http://dx.doi.org/10.1016/j.cnur.2017.07.012
  • Manual da Nutrição. Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD, 2009.
  • CHO, N. H. et al. IDF Diabetes Atlas: Global estimates of diabetes prevalence for 2017 and projections for 2045. Diabetes research and clinical pratice. n.138, p.271-281, 2018.
  • Crawford, Kate. Review of 2017 Diabetes Standards of Care. Nurs Clin N Am52 p. 621–663, 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.cnur.2017.07.010