Dificuldades de comunicação, linguagem e socialização. De uma forma bem ampla, esses são os sintomas clássicos de uma pessoa com autismo, um tipo de transtorno do desenvolvimento que tem sido cada vez mais estudado e debatido pela sociedade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 70 milhões de pessoas em todo o mundo são autistas, com maior incidência no sexo masculino. As causas ainda não são determinadas. Porém, estudos apontam que diversos fatores tornam uma criança mais propensa a ter autismo, dentre os quais destacam-se fatores genéticos e ambientais.

O que é autismo?

O autismo é um transtorno do desenvolvimento, que costuma aparecer logo nos primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social do indivíduo, apresentando déficits persistentes.

Esse é apenas um dos transtornos que fazem parte do quadro Transtorno do Espectro Autista (TEA), que engloba diferentes condições marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente.

São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos; dificuldade de socialização; e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O termo espectro deve-se ao fato de envolver situações e apresentações que variam de acordo com a intensidade dos sintomas, numa graduação que vai da mais leve até a mais grave.

Os autistas apresentam o desenvolvimento físico normal, mas têm grande dificuldade para firmar relações sociais ou afetivas e demonstram viver em um mundo isolado.

Tipos de autismo

Segundo a classificação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), existem três tipos principais do Transtorno de Espectro Autista, cada um representando uma intensidade e maneiras diferentes de como o autismo se manifesta:

Síndrome de Asperger
É considerada a forma mais leve entre os tipos de autismo e é três vezes mais comum em meninos do que em meninas. Normalmente, quem possui a síndrome conta com uma inteligência bastante superior à média e pode ser chamado também de “autismo de alto funcionamento”.

As pessoas com Síndrome de Asperger são tão inteligentes que, muitas vezes, são confundidas com gênios, pois são imbatíveis nas áreas do conhecimento em que se especializam. Também é normal que eles se tornem extremamente obsessivos por um objeto ou um único assunto e passem horas discutindo ou falando sobre isso.

Pacientes com a Síndrome de Asperger na fase adulta possuem grandes chances de desenvolver depressão e/ou ansiedade.

Transtorno Autista ou Autismo Clássico
As pessoas com Transtorno Autista ou Autismo Clássico costumam ter atrasos linguísticos significativos, desafios sociais e de comunicação, e comportamentos e interesses incomuns, ou seja, várias capacidades são afetadas de forma mais intensa.

Muitas pessoas com transtorno autista também têm deficiência intelectual. Outro fator bem comum é a presença intensificada dos comportamentos repetitivos.

Esse tipo de autismo costuma ser diagnosticado de forma precoce, em geral antes dos 3 anos.

Transtornos Invasivos do Desenvolvimento
Essa é uma fase intermediária, já que ela é um pouco mais grave que a Síndrome de Asperger, mas não tão forte quanto o Transtorno Autista ou Autismo Clássico.

As pessoas que são diagnosticadas com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento atendem alguns dos critérios, mas não todos. Geralmente, elas apresentam sintomas menores e mais leves, que causam apenas desafios sociais e de comunicação.

Outros 2 tipos de autismo também são anexados a esses, só que dessa vez pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais:

Transtorno Desintegrativo da Infância
Esse tipo de autismo é o mais grave de todos os presentes no Espectro Autista, porém também é o menos comum. Cerca de 2 crianças de 100 mil são diagnosticadas com Transtorno Desintegrativo da Infância.

Em geral, a criança apresenta um período normal de desenvolvimento, porém a partir dos 2 aos 4 anos de idade ela passa a perder, de maneira muito brusca, as habilidades intelectuais, linguísticas e sociais, sem conseguir recuperá-las.

Síndrome de Rett
Por mais que as crianças com esse problema possuam comportamentos muito parecidos com os autistas, a Síndrome de Rett não está relacionada ao espectro autista.

Especialistas dizem que a mutação presente na síndrome acontece de forma aleatória ao invés de ser herdada e ela afeta, em sua maioria, crianças do sexo feminino.

A síndrome é caracterizada por alguns itens e aparecem entre o 6º e o 18º mês da criança:

– Para de responder socialmente;
– Torce demais as mãos, o que se torna um hábito;
– Perde competências linguísticas;
– O crescimento da cabeça diminui significativamente e, por 2 anos, é muito abaixo do normal.

Graus de autismo

Além desses tipos apresentados, o Transtorno do Espectro Autista também é dividido em graus:

Leve (nível 1)
Comunicação social: Crianças desse nível costumam ter dificuldade para iniciar uma interação social com outras pessoas. Além disso, também podem apresentar pouco interesse em interagir com os demais, tendo respostas atípicas ou insucesso a aberturas sociais.

Comportamentos repetitivos e restritos: Inflexibilidade de comportamento causa interferência significativa no funcionamento em um ou mais contextos. As crianças também têm dificuldade significativa em trocar de atividade. Além disso, problemas de organização e planejamento são obstáculos a sua independência.

Moderado (nível 2)
Comunicação social: Nesse nível, as crianças apresentam uma deficiência um pouco mais grave nas suas habilidades sociais, sejam elas verbais ou não. Além disso, também possuem limitações para iniciar algum tipo de interação e prejuízos sociais, mesmo quando recebem apoio.

Comportamentos repetitivos e restritos: Caracterizado pela inflexibilidade do comportamento, as crianças também têm dificuldade em lidar com mudanças e apresentam comportamentos restritos/repetitivos frequentemente, e sofrem para modificar o foco das suas ações, o que acaba interferindo no funcionamento em uma variedade de contextos.

Grave (nível 3)
Comunicação social: Crianças com autismo de nível 3 têm déficits bem mais graves na comunicação verbal e não verbal. Além disso, elas também têm dificuldades notórias para iniciar uma interação social ou se abrir a alguma que parta de outras pessoas.

Comportamentos repetitivos e restritos: Quanto aos comportamentos, as crianças em nível 3 possuem os mesmos apresentados pelas crianças em nível 2.

Quais são as causas do autismo?

As causas do autismo ainda são desconhecidas, mas a pesquisa na área é cada vez mais intensa. Estudos sugerem que o transtorno se desenvolve a partir de uma combinação de fatores genéticos e não genéticos, ou ambientais.

Muitos genes parecem estar envolvidos nas causas do autismo. Alguns tornam as crianças mais suscetíveis ao transtorno, outros afetam o desenvolvimento do cérebro e a comunicação entre os neurônios. Outros, ainda, determinam a gravidade dos sintomas.

Quanto aos fatores externos que possam contribuir para o surgimento do transtorno estão a poluição do ar, complicações durante a gravidez, infecções causadas por vírus, alterações no trato digestório, contaminação por mercúrio e sensibilidade a vacinas.

Vale destacar também que o autismo é de duas a quatro vezes mais frequente no sexo masculino do que no sexo feminino e que famílias que já tenham tido algum integrante com autismo correm riscos maiores de ter outro posteriormente.

Quais são os sintomas do autismo?

Os sintomas do autismo geralmente aparecem antes dos 3 anos de idade e são vários os sinais que caracterizam o indivíduo autista. Alguns deles são:
– Dificuldade de relacionamento interpessoal;
– Pouco ou nenhum contato visual com outras pessoas;
– Riso inadequado;
– Busca pelo isolamento social (preferência pela solidão);
– Fixação visual em objetos;
– Aparente insensibilidade à dor;
– Rotação repetitiva de objetos;
– Sentidos altamente sensíveis;
– Repetição de palavras ou frases;
– Não respondem pelo nome;
– Dificuldade de aprendizado;
– Resistência a mudanças na rotina;
– Agressividade;
– Ansiedade;
– Interesses muito restritos;
– Comportamentos repetitivos, como bater, balançar ou girar.

Os sinais e sintomas do autismo infantil podem incluir ainda convulsões, transtornos do sono e alimentares, ansiedade e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

É importante lembrar que os sintomas do transtorno se apresentam de forma heterogênea, ou seja, cada criança possui um jeito muito particular de ser. Eles variam intensamente quanto ao grau de comprometimento, associação ou não com deficiência intelectual e com presença ou não de fala.

Essas variações e o momento do diagnóstico influenciam muito na definição da resposta aos tratamentos e se a evolução dos mesmos está sendo favorável ou não.

Diagnóstico do autismo

O diagnóstico do autismo não é tão simples, isso porque não há exames laboratoriais ou de imagem específicos que indiquem o transtorno. A avaliação deve ser clínica e feita por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo.

Em geral, é considerado o histórico do paciente, a observação de seu comportamento e os relatos dos pais, e costuma-se seguir critérios estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ou pela Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde.

Normalmente, o problema é detectado quando os sintomas se tornam mais evidentes, o que geralmente ocorre entre 2 e 3 anos de idade. Porém, é comum, ainda, que os sinais sejam confundidos com surdez (já que a criança não responde aos estímulos), deficiência intelectual e problemas de linguagem.

Por isso, mediante qualquer desconfiança sobre desenvolvimento do seu filho, procure um especialista, pois quanto mais precoce começar as intervenções, melhor será o prognóstico.

Tratamento do autismo

Ainda que não exista cura nem um medicamento específico, o autismo tem, sim, tratamento, capaz de melhorar a qualidade de vida do paciente. Em geral, uma equipe multidisciplinar, englobando médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e pedagogos é indicada, já que cada especialista trabalhará uma dificuldade específica do autista, visando a sua reabilitação global.

Um programa de tratamento precoce, intensivo e apropriado melhora muito a perspectiva dos indivíduos com o transtorno, aumentando significativamente os seus interesses por meio de atividades construtivas.

O uso de medicamentos só é indicado quando surgem complicações no quadro do paciente, como a presença de outras doenças paralelas, por exemplo a depressão.

O principal objetivo do tratamento é maximizar as habilidades sociais e comunicativas da criança por meio da redução dos sintomas do autismo e do suporte ao desenvolvimento e aprendizado. Quando as intervenções são feitas precocemente, as chances de sucesso são altas.

É muito importante para o autista contar com uma rede de apoio, em especial dos pais e familiares, compreendendo suas limitações e dificuldades, e ajudando-o a enfrentar seus desafios. A participação ativa da família é fundamental.

 

Como o autismo está relacionado a inúmeros elementos essenciais da vida do indivíduo, diagnosticá-lo precocemente e proceder com o tratamento adequado é de suma importância, proporcionando mais qualidade de vida para a pessoa que sofre com a condição. Por isso, caso você tenha notado algo diferente no comportamento do seu filho, agende um horário com o nosso pediatra!

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