Se você come alimentos não orgânicos no Brasil, certamente está ingerindo resíduos de agrotóxicos. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), 1/3 dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado com agrotóxicos.

Sendo os alimentos que mais utilizam agrotóxicos: soja (40%), milho (15%), cana e algodão (10%), café, trigo e arroz (3%) e feijão (2%), em 2011, segundo o Sindag (2009; 2011).

O mercado de alimentos orgânicos cresceu muito nos últimos anos e continua em expansão. Muito desse crescimento se deve a preocupação com a ingestão de alimentos contaminados com agrotóxicos. Tal preocupação é devida aos inúmeros prejuízos à saúde e ao ambiente causados por estas substâncias e a seu crescente uso, principalmente no Brasil.

Indo na contramão de outros países, que estão adotando medidas para reduzir a utilização de agrotóxicos, o Brasil aprovou um projeto de lei (PL 6299/02) que dentre outras alterações, mudam critérios de aceitação de um novo produto.

Todos agrotóxicos, antes de serem registrados no Brasil, passam por uma análise obrigatória de risco. Com a aprovação da PL 6299/02, passa a ser aceita a utilização de produtos classificados com “risco aceitável” e proibidos apenas produtos com “risco inaceitável”. Mesmo com a legislação atual, sem a PL 6299/02, já podemos observar critérios menos rigorosos que os padrões europeus, tendo em vista que, dos 50 agrotóxicos mais utilizados no Brasil, 22 são proibidos na União Europeia.

Desde 2008 o Brasil ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da ANVISA e do Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná, de 2012. Enquanto, nos últimos dez anos, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o mercado brasileiro cresceu 190%. Considerando que parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, os impactos na saúde pública são amplos, atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores em diversos ramos de atividades, moradores do entorno de fábricas e fazendas, além de todos nós, que consumimos alimentos contaminados.

Mas o que são Agrotóxicos e como eles afetam nossa saúde?

Também conhecidos como defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas e outros, constituem um grupo de substâncias químicas utilizadas no controle de pragas (animais e vegetais) e doenças de plantas. São utilizados nas florestas nativas e plantados, nos ambientes hídricos, urbanos e industriais e, em larga escala, na agricultura e nas pastagens para a pecuária.

Lei dos Agrotóxicos

A lei dos agrotóxicos (Lei Federal no 7.802/02) os define como “os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos bem como substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores do crescimento.

São inúmeros os estudos que associam o uso de agrotóxicos a efeitos deletérios na saúde humana. Tais efeitos sobre a saúde podem ser de dois tipos:

Efeitos agudos, ou aqueles resultantes da exposição a concentrações de um ou mais agentes e possuem sintomas mais visíveis que aparecem durante ou logo após o contato da pessoa com o produto, como espasmos musculares, convulsões, náuseas, desmaios, vômitos e dificuldades respiratórias;

Efeitos crônicos, ou aqueles resultantes de uma exposição continuada a doses relativamente baixas de um ou mais produtos.  Os efeitos de uma exposição crônica podem aparecer semanas, meses, anos ou até mesmo gerações após o período de uso/contato com tais produtos, sendo, portanto, mais difíceis de identificação, mas abrangem desde de dermatites de contato, irritações na mucosa, alergias, asma brônquico à canceres, alterações cromossomas, lesões hepáticas e renais, arritmias cardíacas, doença de Parkinson dentre outros.

Tendo em vista os perigos da utilização indiscriminada de agrotóxicos na agricultura e suas consequências na saúde humana e no ambiente, devemos ficar atentos aos alimentos que consumimos, bem como nas politicas que controlam o uso destas substâncias.

 

REFERÊNCIAS:

PERES, F. MOREIRA, J.C.; DUBAIS, G.S. Agrotóxicos, saúde e ambiente: uma introdução ao tema.

CASSAL, V.B., AZEVEDO, L.F., FERREIRA, R.P., SILVA, D.G., SIMÃO, R. S. Agrotóxicos: uma revisão de suas consequências para a saúde pública. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, v.18 n. 1, p.437-44, 2014.

ANVISA; UFPR. Seminário de mercado de agrotóxico e regulação. Brasília: ANVISA. Acesso em: 11 abr. 2013

CARNEIRO, F. F.; PIGNATI, W.; RIGOTTO, R. M. et al. Dossiê ABRASCO – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Parte 1 – Agrotóxicos, Segurança Alimentar e Nutricional e Saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2012.